
DOM ANGELO PIGNOLI
Por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica
Bispo diocesano de Quixadá
MENSAGEM DE DOM ANGELO
PIGNOLI
AO POVO DE DEUS DA DIOCESE DE QUIXADÁ
“A VERDADE VOS LIBERTARÁ!”
Aos fiéis católicos
e pessoas de boa vontade desta Diocese: Graça e Paz da
parte de Deus nosso Pai e de Jesus nosso Salvador.
1. A Santa Igreja de
Deus, tal como a barca de Pedro no lago de Genesaré,
sempre foi batida por ventos tempestuosos que a sacodem sem
jamais destruí-la. Nossa querida Diocese de Quixadá,
povo de Deus peregrino neste Sertão Central do Ceará,
não escapa a estas vicissitudes. “Fere o Pastor,
que as ovelhas sejam dispersadas!” (Zc 13, 7), já
profetizou Zacarias no Antigo Testamento. Esta continua sendo
a permanente tática que o “Príncipe das
trevas” e “mentiroso desde o início”
emprega, através da história, para impedir o crescimento
do Reino de Deus e é o que eu e o nossos fiéis
temos assistido há tempo, tornando-se insistente nesses
últimos dias em nossa Igreja diocesana, contra seu legítimo
e único Pastor.
2. Mantive até
agora um silêncio humilde. Mas não desejo que sua
continuação seja considerada como timidez ou omissão
indevida do Bispo diocesano. Por isso, frente às manifestações
injuriosas e caluniosas desses dias, usando dos meios de comunicação
contra minha pessoa e o modo como venho dirigindo a Diocese
de Quixadá, faço pública esta mensagem,
esperando levar luz e paz às pessoas que amam a verdade.
3. Fui nomeado Bispo
da Igreja Católica e designado como Sucessor dos Apóstolos
para a porção do rebanho de Cristo que está
na Diocese de Quixadá, pelo Papa Bento XVI, e tomei posse
desta Diocese aos 25 de março de 2007. Aqui exerço
a função de “governar, ensinar e santificar”
o povo de Deus, construindo o Seu Reino e pregando o Evangelho,
sem nenhum interesse que não a salvação
das almas, que é o bem supremo da Igreja. O poder do
Bispo é espiritual e, por isso, sua autoridade tem origem
divina, de tal modo que a ele perfeitamente se aplicam as palavras
de Jesus dirigidas aos Apóstolos: “quem vos recebe,
a mim recebe, e quem me recebe, recebe Aquele que me enviou”
(Mt 10, 40).
4. Desde os inícios
da Igreja a cada comunidade orgânica de católicos
é dado um único Sucessor dos Apóstolos,
como Bispo e Pastor, centro e fundamento visível da unidade
da Igreja particular, colaborando com ele os presbíteros
que são fiéis à sua vocação.
Sucedo assim a Dom Adélio Tomasin, que, por sua vez,
sucedeu a Dom Joaquim Rufino do Rego, numa clara demonstração
da continuidade dinâmica da Santa Igreja, que, desde Jesus
Cristo e os Apóstolos e até o fim dos tempos,
age e continuará agindo, através de seus ministros.
5. Conhecido e amado,
Dom Adélio é grande benfeitor do Sertão
Central e merece nossa gratidão e reconhecimento pela
doação de sua vida e pelos serviços prestados,
tanto no campo espiritual, quanto social. Por isto, por merecida
deferência, como um de meus primeiros atos, a ele transferi
a função honrosa de Chanceler da Faculdade Católica,
continuando, porém, eu a exercer a função
irrenunciável de Presidente da Mantenedora, com as relevantes
tarefas que regimentalmente me cabem, associadas à responsabilidade
de Bispo diocesano.
6. A estrutura orgânica
da Diocese de Quixadá, constando de paróquias,
do seminário, do santuário e das obras educativas
e sociais, exige de mim, principal responsável perante
Deus e perante os homens, um permanente acompanhamento, sempre
em vista da clareza e transparência, tanto perante as
leis civis, quanto para com a Santa Sé Apostólica.
Entre nossas instituições educativas emerge, pelo
vulto e importância regional, a Faculdade Católica,
na qual estudam nossos futuros padres e que, com numerosos cursos,
presta relevante serviço cívico ao Nordeste, sem
perder seu caráter expressamente católico.
7. A Diocese de Quixadá
é uma organização religiosa, sem fins lucrativos
e imune de impostos, mas que no seu balanço anual ultrapassa
os limites econômicos de uma instituição
de pequeno porte, exatamente por causa de nossa Faculdade Católica.
Esta, por sua dimensão e complexidade, chama-me a permanente
e preocupada atenção, despertando-me o maior zelo
e cuidado.
8. Administrar e supervisionar,
nos tempos hodiernos, são atividades complexas, a exigirem
permanente conhecimento da realidade. Para que, portanto, como
responsável maior da Faculdade Católica, eu possa
cumprir meu dever de alta direção, contínuo
acompanhamento e supervisão, é necessário
ter uma percepção mais exata e objetiva, da sua
situação estática e dinâmica. Ora,
cheguei à convicção de não ser possível
conseguir esta visão clara, complexiva e fundamentada
da realidade da Faculdade, apenas através de eventuais
contatos e relatórios. Precisamos de algo mais amplo
e profundo. Fundamentado nisso tudo, eu, como Presidente da
Mantenedora da Faculdade e dentro da competência de Bispo
diocesano, que deve supervisionar as entidades da Diocese, ou
a ela sujeitas, decidi contratar uma empresa especializada,
para realizar uma auditoria independente na Faculdade, a fim
de obter uma visão completa, atualizada e autorizada
da Católica.
9. É supérfluo
relevar que tal decisão não significa desconfiança
de ninguém. Trata-se de uma medida de acompanhamento
e controle, legítima e normal numa administração
moderna. Valer-se, pois, dos recursos da ciência e da
tecnologia para melhor conhecer, acompanhar e avaliar a Faculdade
Católica é medida previdente, que nos orientará
os passos no futuro de sua administração.
10. Nesta circunstância,
é preciso que os projetos extraordinários da Faculdade
fiquem suspensos temporariamente, até que tenhamos pleno
conhecimento da situação. Esta decisão
não é arbitrária: foi tomada em conjunto
com o Núncio Apostólico, representante do Santo
Padre no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri, que de cada passo que
dou está informado. Por isto, é incompreensível
e surpreendente a celeuma que imediatamente se criou, o barulho
que se fez, usando de falsidades, calúnias ou meias-verdades,
querendo jogar a autoridade maior e legítima do Pastor
da Diocese contra seus padres, o Bispo emérito e a Faculdade
Católica, esquecendo-se daquela grave advertência
da Escritura: “não toqueis nos meus ungidos!”
(1Cr 16, 22).
11. Nenhum aluno ou professor
nutra receios de que a Faculdade Católica venha a fechar
suas portas. Esta possibilidade não existe. Os cursos
em andamento continuarão a funcionar na sua plena normalidade.
As atividades ordinárias dos campi terão seu andamento
inalterado. A Faculdade Católica não diminuirá
e vai crescer, por graça de Deus. Não se deve
dar ouvidos, portanto, a quem semeia tempestades e maledicências.
12. Movimentos cujas
lideranças ostentam a bandeira de um catolicismo bastante
duvidoso (“as minhas ovelhas conhecem a minha voz, eu
as conheço e elas me seguem” – Jo 10, 27)
e cujo bordão comum é uma pretensa solidariedade
a Dom Adélio, mas que por trás têm uma clara
intenção política, dirigem a mim os mais
absurdos adjetivos, as mais mentirosas e desrespeitosas afirmações.
Tais afirmações precisariam ser provadas, dadas
a gravidade e celeuma que estão provocando.
13. Não é
verdade que estou expulsando Dom Adélio de Quixadá.
A hipótese de sua partida seria decisão pessoal
dele. Além disso, esse “terrorismo psicológico”,
prognosticando um eventual fechamento da Faculdade Católica,
é mentira triste, digna do mais veemente repúdio.
Lamento a tentativa de manobrar o corpo docente e discente da
instituição, por parte de pessoas inescrupulosas,
que procuram semear o terror na mente e no coração
de professores e alunos, da maneira mais grotesca possível.
O que não podemos admitir é que a Faculdade Católica
venha a ser indevidamente utilizada para plataforma política
de quem quer que seja, nem para interesses pessoais ou de grupos,
já que é um patrimônio eclesial, para o
bem de todos, edificado com a generosidade e o espírito
de sacrifício de tantos.
14. Igualmente é
falso afirmar que o patrimônio da Diocese de Quixadá
está sendo destruído por mim. Se algum bem foi
até então vendido, é preciso entender que
“venda” significa transformação de
bens móveis ou imóveis em capital e não
necessariamente “dilapidação”. O único
imóvel vendido, uma pequena casa, teve seu valor aplicado
na reforma da Catedral. Por outro lado, a Diocese herdou diversos
encargos financeiros que ela precisa saldar. Para exemplificar,
a Rádio Cultura de Quixadá (que não foi
vendida, nem arrendada a ninguém, mas continua sob pleno
domínio e administração da diocese através
da contratação de novos funcionários) ainda
pena para pagar multa eleitoral na monta de mais de R$ 150.000,00
que nos foi deixada. A maternidade vive cotidianamente em apuros
financeiros, fruto do atraso no repasse de verbas de convênios,
como também de dívidas contraídas em administrações
anteriores.
15. No entanto, temos
a alegria de ver pronta a nova ala do Seminário Pio XII,
assim como de noticiar que já estamos com os recursos
para a construção da sede apropriada da Cúria
Diocesana. A reforma da Catedral está quase concluída.
Assim, é caluniosa a afirmação de que o
patrimônio da Diocese está sendo destruído
ou, como foi dito em emissoras de rádio, “vem sendo
roubado pelo Bispo diocesano”. Triste e sintomático
é o silêncio daqueles que podiam e até deviam
sair em defesa do Pastor legítimo da Diocese e não
estão fazendo.
16. Não condizente
com a verdade é a afirmação de que persigo
os padres da Diocese. Visando preservar aqui a fama das pessoas
envolvidas, limito-me a afirmar que, algumas vezes, recebo lamentos
de fieis leigos, preocupados com atitudes de alguns sacerdotes
que precisariam ser alertados quanto à sua conduta e,
em caso de contumácia, ser punidos na forma da lei canônica,
para o bem do próprio povo de Deus. Outros sacerdotes
estão se ausentando da Diocese por motivos de estudo
ou por motivos pessoais. Infelizmente, porém, acontece
que uns falam mal do Bispo se este não toma medida e
outros falam mal, quando se¬¬ tomam medidas sofridas,
com relação a algum sacerdote, cujo comportamento
desedifica a Santa Igreja.
17. Evidentemente, na
ausência de provas e perante tamanhas afrontas, ações
judiciais poderiam ser movidas contra pessoas e grupos bem identificáveis,
seja no âmbito criminal, seja no âmbito civil da
legislação brasileira, não excluídas
medidas penais do direito canônico, especificamente quando
diz que seja punido com a pena de interdito ou outras justas
penas quem excita publicamente aversão ou ódio
dos súditos contra o Bispo diocesano, em razão
de algum ato de poder ou de ministério eclesiástico,
ou incita os súditos à desobediência a ele
(cf. cânon 1373). Esta determinação da lei
eclesiástica é menos uma ameaça e mais
um alerta aos fieis para não se deixarem enganar por
falsos profetas de calamidades.
18. Por fim, faço
um veemente apelo a que nenhum partido e nenhum político
interfiram indevidamente nos assuntos reservados à autoridade
diocesana de Quixadá. Estou pronto ao diálogo
franco e respeitoso, à colaboração leal.
Tal intromissão indevida comprometeria as sadias relações
entre Igreja e Estado, independentes e harmoniosas, cada qual
no seu campo, como, aliás, se estabelece, no Acordo recentemente
feito entre o Governo e a Santa Sé. Faço também
uma advertência ao povo de Deus para o risco da manipulação
velada que corre.
19. Reitero aqui a informação
de que as decisões tomadas até então e
agora publicadas oficialmente foram tratadas com os meus superiores
hierárquicos, a saber, o Santo Padre, o Papa, por meio
dos Dicastérios Romanos (departamentos de governo da
Igreja), em recente visita a Roma, e o Senhor Núncio
Apostólico no Brasil, aos quais devo prestar contas.
Este tem pleno conhecimento e dá total apoio a tudo o
que nesta mensagem está expressa, a bem da verdade.
Certo de que o Espírito
de Deus iluminará as mentes e os corações
de todos e fará reinar a unidade em nosso meio, “a
fim de que todos sejam um... para que o mundo creia” (Jo
17, 21), subscrevo-me paternalmente,
Quixadá, 23 de
novembro de 2009. † Angelo Pignoli
Bispo diocesano de Quixadá.